Este fim de semana eu fui acampar. Arrumei os meus pertences numa mochila, anexei a ela o saco cama e o colchonete. E parti como grande aventureiro, sem me aperceber da riducularidade citadina das minhas acções.
Escolhi, quase aleatoriamente, um parque com proximidade à praia. Localizado nos arredores de uma pequena cidade costeira com pouco a oferecer. As instalações eram razoáveis, com a excepção dos danos infligidos por alguns campistas menos cívicos.
A cidade era minúscula, posso afirmar que todos os dias percorri, à pé, toda a sua extensão. No entanto a juventude de lá mostrou-se mais simpática do que qualquer outra que eu já tenha encontrado neste fim de mundo europeu.
Desloquei-me acompanhado de um amigo meu que planeava completar, durante a estadia, a magnifica marca de: 18 anos. Um marco na vida de qualquer pessoa, um símbolo de sobriedade e responsabilidade.
Longe disso, os nosso dias foram passados na companhia das mais variadas bebidas alcoólicas, de vodka a whisky, sem nunca deixar de lado a sempre fiel cevada.
Logo ao primeiro dia fomos presentados com a presença de um vizinho peculiar, mas nem por isso menos simpático. Um jovem (cujo nome agora não me recorda), que ofereceu-nos 2 cervejas (quentes) e contou-nos sobre como tinha viajado ate ali, sozinho, de carro desde a bela cidade de Lyon em France. E o que fazia deste rapaz peculiar? Para alem de ser o primeiro francês fluente em inglês que eu conheci, este individuo praticava uma profissão que tinha tanto de rentável como de perigosa: Drug Dealer. Ou seja, este jovem de 20 anos, que (segundo ele) vivia na casa dos pais, obtinha o seu rendimento através do trafico de cannabis, cocaína, heroína e haxixe, entre outras.
Brutal.
Ele mostrou-nos todos os seus truques para esconder os seus materiais de oficio nos vários orifícios do seu automóvel e explicou-nos o modo de conduta "à la resistance" praticado por lá. Aquilo que mais me surpreendeu sobre este jovem foi ele ter alegado consumir 300 g de cannabis por semana. E tendo em conta que enquanto nos contava tudo isto ele emborcou de um six-pack de suber bock quentinha, um maço de lucky stripe e meia botelha de J&B... Eu acredito nele.
O valor educacional de estar acampado foi muito pequeno. Estava num estado de liberdade um tanto relativa. Sem horas, nem preocupações, nem pc. Mas sempre com o desejo de esticar ao máximo o tempo, não fosse isso impossível. Fui massacrado via sms por individuas que tanto parecem precisar de mim como me transmitem um desdém desmedido, mas que no entanto, nunca perdem o contacto. Fui chamado de jeitoso por uma local, que aparentemente já tinha idade para ter juízo. E foi-me pedido um cigarro por um delinquente de pénis na mão.
Acho que posso classificar a experiência como agradável. As minhas tendências suicidas ate foram atenuadas.